Agosto é o Mês das Vocações, e estamos no meio da pandemia do novo coronavírus (COVID-19). A Pastoral da Comunicação do Regional Norte 2 coletou alguns relatos da vivência das vocações neste período, a fim de contar boas histórias, motivados pela mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano, cujo tema foi “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2). A vida faz-se história. O primeiro relato, elaborado em parceria com a Pascom Diocesesana de Bragança do Pará, é o testemunho de um pai de família, a respeito da vocação familiar, celebrada no Dia dos Pais. 

Depois de vários anos sempre liderando algum movimento, ministério ou serviço dentro da Igreja, conversei com o meu pároco (na época, Pe. Aldo Fernandes), no final de 2019, após ter coordenado o Grupo de Oração Graça e Vida, da Renovação Carismática Católica, na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Irituia, e disse que gostaria de tirar o ano de 2020 para dedicar mais tempo para a minha família. Mal sabia eu que era um pedido do Senhor e não meu simplesmente.

Meu pároco ficou pensativo, devido aos serviços que fazemos na Igreja: Ministro da Eucaristia, Ministério de Intercessão, Pastoral da Comunicação… Mas, no final, entendeu o meu pedido e disse que a família tem um valor fundamental na vida do cristão. Segui com meus trabalhos missionários ficando à frente somente do Ministério de Intercessão, do Grupo de Oração, mas tendo uma vida missionária bem atuante.

Em novembro de 2019, iniciamos uma reforma em nossa casa e tivemos que ir morar em outro lugar. Pela graça de Deus, minha sogra e meu sogro nos cederam uma pequena casa recém construída e ainda não acabada nos fundos da casa deles. Ali, meu sogro e minha sogra, e outros membros da casa tinham um contato muito maior com os netos Lucas e Théo. Lembro-me das inúmeras vezes que meu sogro, que era comerciante, fugia do comércio para ir brincar com eles, especialmente com o Theozinho.

Vivenciando tudo isso, meu ser de esposo, de pai e de genro tiveram um novo olhar. Aprendi mais ainda o valor de estar juntos, de se viver em família, de rir, de chorar, de se alegrar, enfim, de viver momentos em família.

Para a surpresa de todos, meu sogro agravou uma doença que tinha e ninguém sabia. Foi um corre-corre de médico em médico, hospital em hospital e numa forma de esperança para a sua cura, conseguimos uma cirurgia. Porém, infelizmente – ou felizmente, pela vontade divina -, Seu Marinho veio a falecer em meados de março de 2020 de um câncer no pâncreas, tudo isso no período que começava-se as preocupações com a pandemia do novo coronavírus que tem feito estrago mundo à fora.

Havíamos decidido fazer um cerco de Jericó em família pela recuperação da sua saúde, sete dias de oração. Um momento vivenciado de forma muito profunda por todos. Acreditem que no último dia do Cerco, na última leitura das sete vezes que nessa noite lemos o capítulo seis de Josué, o telefone toca e minha esposa atende e a notícia era a que ninguém queria receber: Seu Marinho faleceu. Foi um alvoroço total.

Eu, como genro, tive que estar de pé naquele momento para acalmar a todos, providenciar o velório com os outros familiares e irmãos de Igreja, que rezavam conosco naquela noite e cuidar de toda a papelada. No velório, poucas pessoas puderam estar presentes devido a toda a preocupação com a pandemia.

Passados alguns dias, retornamos para a nossa casa que havia sido reformada. Casa nova, alguns móveis novos e com tudo isso um espírito novo de ser família, mesmo em tempos de pandemia. Um desafio enorme pra mim, que sempre estava muito ocupado com os afazeres do trabalho, da missão e acabava com pouco tempo para viver meus filhos e esposa.

Hoje, ainda em pandemia, minha esposa coloca os meninos para dormirem, faz a oração e eu leio o salmo com eles. De manhã levo-os para a casa de minha sogra. Quando volto do trabalho às 12h, almoço com eles, porque minha esposa trabalha em outra cidade. Agora tenho mais tempo e interesse de viver com eles. Essa pandemia despertou isso em mim.

Hoje vejo como educar e ensinar valores cristãos para nossos filhos não devem ficar apenas nas pregações, mas, devem estar no dia-a-dia. Desde o amanhecer, ao pedir aos filhos para escovarem os dentes, arrumar as camas, tomarem café, fazerem a oração antes das refeições e ao dormir… são desafios que neste tempo difícil em que vivemos, me ensinaram o valor de ser vocacionado a ser pai.

Nem imaginava que o pedido que havia feito ao meu pároco no final de 2019 teria toda essa repercussão que teve em minha vida e em minha família! Se tivesse tão cheio de responsabilidade da missão, não teria talvez todo o tempo disponível para ajudar meu sogro na busca de saúde, nos detalhes do velório, na reforma de minha casa. De fato, meu olhar sobre meus filhos e esposa é diferente; desde a louça que lavo em casa, ao dar o lanche para os meninos à tarde, ao levar meu filho para a natação, ao ensinar e pedalar junto com eles. Momentos que valem mais que dinheiro e que mostram o quanto que é prazeroso viver a vocação matrimonial, o dom de ser pai.

Minha esposa também agora é professora em casa. Sempre que possível ensina o Lucas que já está no 3º ano do Ensino Fundamental. Lhe cobra que leia, que estude, que seja um bom cristão. E o Lucas é apaixonado por comunicação. Tira fotos, edita vídeos, grava áudios, brinca de programa de rádio trazendo notícias. O Theozinho é tão pequeninho, mas também, muito inteligente. Fala frases que as vezes eu me pergunto como ele sabe falar isso (risos). Minha esposa é uma linda mulher por dentro e por fora. Mulher de um valor enorme. Uma mãe dedicada, esposa cuidadosa, filha que se preocupa com a mãe. Realmente uma mulher vocacionada ao matrimônio.

Essa é a minha família que quero levar para o céu! A pandemia trouxe novos desafios e também um novo despertar sobre como devemos viver o chamado, a vocação que Deus tem para nós. A minha é de ser família e eu amo tudo isso!

Deus abençoe você e sua vocação! Viva a família!!!